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Histórias de Oficialas »

31
Mar
Fé inabalável dos Oficiais e Oficialas de Justiça

A positividade que me contagia herdei de meus familiares, e a fé, que é ter a certeza daquilo que não vemos, mas acreditamos que ocorrerá. Por vezes, ela desafia a razão aos olhos humanos. Não estou falando de religião, que acaba por afastar as pessoas, e sim de um conceito que faz acreditar que de fato e de verdade, não importando as circunstâncias, aquilo vai acontecer!

31
Mar
Ele fica

Setembro de 2010. Plantão calmo. Daqueles que dá para atender os avisos com tranquilidade, de colocar as certidões em dia, de tomar um café e de prosear com os colegas. Até que, por volta de 15h, recebi uma BOMBA. Um mandado que já havia sido encaminhado a dois Oficiais de Justiça plantonistas, os quais, acertadamente, devolveram-no por falta de oferecimento dos meios necessários.

31
Mar
A história do boi
30
Mar
Um colchão para um chão úmido e frio

Certa estava minha dinda, quando dizia que eu tinha que contar minhas diligências num diário. São tantas vivências distintas, que fica difícil escolher uma. Nosso emocional é literalmente testado no dia a dia de trabalho: medo, insegurança, aventura, tristeza, alegria, "pagação de mico"...

29
Mar
Legalidade, Justiça e Emoções!

A rotina de Oficial de Justiça está pautada em dar cumprimento e efetividade às decisões judiciais, entretanto, sabemos estar cumprindo uma ordem legal, mas o dilema está em se sempre é justa. Era inverno, agora não me ocorrem as datas, numa sexta-feira, final de expediente, acionada pelo plantão para cumprimento de ordem de busca e abrigamento de menor. 

26
Mar
Juntos Somos Fortes

Quando li, na página da ABOJERIS, as histórias de Oficialas de Justiça, me enterneci, achei graça, senti a angústia das colegas, e, mais do que qualquer coisa, claro, me encontrei nos relatos vividos e emocionados.

Todos sabemos a jornada solitária de nossa profissão, na maior parte do tempo. Não só a solidão física. Algumas de nós trabalham juntas, por vezes, mas ser titular de um mandado significa tomar decisões difíceis sem tempo para refletir. É um instante, precisamos dar respostas e reagir ao conflito que se instala. 

25
Mar
Oficiala de justiça desde a infância.

Aos nove 9 anos me vi filha de Oficiala de Justiça, à época poucas mulheres tinham essa profissão no RS. Minha mãe foi se conhecer Oficiala (o termo nem existia, nem o corretor do meu computador moderno o conhece, o sublinhar vermelho teima em aparecer) numa cidadezinha há 150 km de Santa Maria, onde morávamos. Lá ela chegou e ficou conhecida como “Dona Maria Polícia” e nós, seus 4 filhos, éramos “os filhos da Maria Policia” (kkk, nos divertíamos); meu pai, por sua vez, o marido da tal (confesso lembrar que ele não se divertia tanto).

25
Mar
A primeira Oficiala de Justiça da Comarca de Porto Alegre

Sou Helena Deonilda Sandi, aposentada, com 75 anos de idade e muitas histórias para contar. Fui a primeira Oficiala mulher, que assumiu em Porto Alegre, Fórum Central. Após iniciar meu trabalho, fui interrogada pelos colegas sobre “o porquê eu estava ali? que era trabalho para homem”. Daí ouvi muitas depreciações e elogios como: “lugar de mulher é na cozinha!”, “ela não vai aguentar, coitadinha!”, “mulher corajosa, hein! decidida mesma! bonita pra valer!”.

24
Mar
Olha a faca!

Tarde ensolarada na serra gaúcha! O céu de um azul inexplicavelmente lindo, em perfeita harmonia com o verde da vegetação bem hidratada! As chuvas por aqui não costumam falhar! 

Tarde de cumprimento de internação compulsória! Droga? Perturbação mental? Rebeldia de jovem que a avó, no papel de mãe, não aceita? Seja por um motivo ou por outro, o caso ainda se repetirá por muitas vezes no futuro...

23
Mar
O Princípio da Dignidade da Pessoa Humana não deve ser lançado como orégano em pizza!

No relógio, às 17h55min de uma sexta-feira, e há o recebimento, pela Oficiala, de um mandado para a Empresa de Energia Elétrica. Mesmo sabendo que não adianta ir até o local, mesmo ouvindo de todos os lados que não vai conseguir, pois o atendimento se encerrou às 17h, lá vai. Sabe-se que o novo procedimento é realizar o contato via 0800 (santa modernidade, pra quê?), e como fica o Oficial de Justiça de raiz, que vai lá e faz? Vai no endereço, porque não aceita a situação descrita no mandado, e além da ordem recebida, recebe a responsabilidade de resolver a situação, que lhe foi dita ser injusta. 

22
Mar
Guarda-sol em dia de chuva

Ao longo destes dez anos atuando como Oficiala de Justiça, passei por "poucas e boas". E ainda passo. Mas eu só colecionava e contava para as pessoas aquelas histórias das diligências mais "cabeludas" e chocantes. Porém, com o tempo percebi que era preciso lembrar e também contar as histórias daquelas diligências que, apesar de aparentemente comuns, se revelavam surpreendentes graças a certas sutilezas - bastava só que eu estivesse atenta para enxergá-las.

20
Mar
Feminicídio, até quando?

É triste, mas elas voltam aos seus algozes, cinquenta por cento das vítimas de violência doméstica, voltam. É uma porcentagem significativa, é assassinada, muitas vezes, na frente dos filhos. Teve um caso em São Leopoldo, que me marcou muito. Foi o caso de uma frentista. Trabalhava num posto de gasolina na esquina do fórum. Eu e minha colega Flávia, costumávamos ir a esse posto, no final de tarde, duas vezes na semana, tomar um café na conveniência e falar sobre os mandados do dia. 

19
Mar
Corro para fugir e corro para socorrer

Quem me conhece sabe que corro rústicas, maratonas, trilhas e montanhas e corro também para fugir do perigo e para ajudar quem de nós necessita! Resumirei alguns "causos". 
Mandado de internação compulsória com acompanhamento da Brigada Militar. Eu e uma policial abordamos o paciente, que se encontrava em um pequeno corredor entre a sua casa e o muro. Ciente da ordem, ele ameaçou nos agredir, e a policial utilizou a “taser” para contê-lo, sem êxito! O choque não surtiu efeito e o senhor partiu para cima de nós,...

18
Mar
Uma porcaria de diligência

Se a profissão de Oficial de Justiça é complicada quando já decorreram anos de experiência, imagina quando são apenas alguns dias na função. Sim, com poucos dias de profissão fui contemplada com uma diligência de Busca e Apreensão, oriunda de um processo de divisão de bens de um casal em processo de divórcio. Recebido o mandado, sentindo-me a Kate Marrone em pessoa (entreguei a minha idade), solicitei apoio de um colega mais próximo,...

17
Mar
Os olhos da Justiça

Recentemente, e por mais de uma oportunidade, quando de alguma eventual consulta extra certidão, ouvi de um dos magistrados com quem atuo: “Karen, vocês são os nossos olhos, vocês são os olhos da Justiça”.

Até então, muito havia escutado que eu sou a “longa manus” da Justiça, expressão que carrega em si o entendimento de que somos a ação efetiva do Poder Judiciário no seio social...

16
Mar
Lidando com as nossas dores, as agruras do trabalho no interior e as dores do(s) outro(os)

Eram meados de março do ano de 2017, na comarca de Encruzilhada do Sul, por volta das 20h, quando recebi a ligação do Fórum para cumprir, em regime de plantão, um Mandado de Busca e Apreensão de um bebê (tinha menos de 01 mês e seria tirado da mãe e entregue aos avós paternos). Gelei, primeiro, porque este tipo de mandado que envolve criança, família, sempre acaba abalando nosso psicológico (e eu era oficiala há apenas 01 ano e 05 meses); ...

15
Mar
A mão que balança o berço nem sempre é a mão que protege!

Ser Oficial de Justiça reclama uma boa dose de equilíbrio emocional, imparcialidade, intuição, bom senso, raciocínio rápido e lógico, prudência, empatia, muita atenção, comprometimento, conhecimento jurídico, um coração forte e, às vezes, uma boa dose de ousadia (predicados meramente exemplificativos).  

12
Mar
Em memória de Mara

Julho de 1996. Manhã fria, com um sol ainda tímido clareando as vielas sonolentas do bairro Guajuviras, na periferia de Canoas. Eu havia assumido como Oficiala de Justiça em novembro de 1995 e, desde lá, a triste realidade daquela área periférica, pobre e massacrada pelo topo da pirâmide social, fazia parte da minha rotina no Poder Judiciário do RS. Mas, especialmente naquela manhã, eu vivenciaria uma experiência que marcaria, para sempre, a minha vida. Não somente a profissional, mas a minha vida em todos os aspectos. 

12
Mar
BATISMO DE FOGO

Há alguns anos, por volta de 2014, eu era bem novata na profissão. Recebi um mandado em plantão: buscar e entregar uma criança ao seu pai. Um menino que cursava o ensino fundamental. Primeiramente encontrei o pai, o qual, devido a uma enfermidade, não podia caminhar. Só tomei conhecimento dessa condição do pai ao realizar a diligência, o que aumentou a minha preocupação, porque o pai não poderia pegar seu filho nos braços ou se aproximar dele espontaneamente. 

11
Mar
Dilemas existenciais na profissão de uma Oficiala de Justiça

Ser Oficial de Justiça é estar em constante contato com diversas situações inusitadas, nosso cotidiano é permeado de incertezas, curiosidades, absurdos. Oficial de Justiça é a mão da justiça em ação, tornando real uma expectativa de direito, quase a perfectibilização do ideal de justiça, não fossem os humanos os grandes protagonistas das tramas e confrontos judiciais. 

 

10
Mar
O conflito íntimo entre o cumprimento da ordem judicial e nossas vivências

Nossa função, muitas vezes, provoca o cumprimento de medidas cujas decisões são polêmicas, colocando-nos em constante conflito com nossas vivências e convicções. Para mim, entendo ser inviolável o direito da mulher, de tomar suas próprias decisões sobre seu corpo, incluindo-se sua autonomia para decidir sobre o tipo de parto de sua preferência. Muitas mulheres já sofreram violência obstetrícia em diversas maternidades espalhadas pelo Brasil – sejam elas públicas ou particulares – e passaram por experiências traumáticas nos momentos do parto. A mulher tem, sim, o direito à escolha da via de nascimento a qual deseja ter seu filho, entretanto, deve-se levar em conta o binômio necessidade e saúde materno-fetal, prezando-se pela saúde da gestante e, também, do bebê.