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31
Mar
A história do boi

Gina Maria de Souza dos Santos
Oficiala de Justiça
Comarca de Pelotas

Entre muitas diligências complicadas e perigosas, que além de tudo, se tornam cômicas, tive a "história do boi". Mandado de afastamento de um macho valente, lá em Monte Bonito. A vítima estava inclusive com o rosto todo inchado e vermelho das pancadas. Fui, e lá estando, avisei a Brigada e fiquei no aguardo. O endereço era bem afastado, um sítio, sem uma viva alma por perto. E eu esperando na porteira, e nada da Brigada. 

De repente, ouvi uma gritaria, vários berros, e percebi que eram de várias pessoas. Uma criança saiu gritando, dizendo que o "boi" havia derrubado seu pai. Entrei, e o macho estava no chão, chorando e esbravejando. Pediu ajuda, ajudei a levantar. O boi já havia sido acalmado e preso pela vítima. Quando perguntou quem eu era, me identifiquei, dizendo que era Oficiala de Justiça e que estava ali para que ele saísse da residência por ter agredido sua mulher. 

Ele virou macho de novo, começou a querer revidar, argumentar, falar alto, contar histórias. Falei que a Brigada estava chegando e que se ele não saísse imediatamente, o "boi" seria solto pela vítima novamente. A vítima ficou a postos, perto do "boi". O homem ficou esbravejando e mancando, andando de um lado para o outro, juntando algumas coisas e reclamando da vítima, como sempre fazem nessa hora derradeira. Me ameaçou, gritou, fez a sua cena. E a Brigada chegou. Saiu às pressas. Com medo da Brigada ou do boi. 

Tudo acabou dando certo, mas vai saber... poderia ter tido outro desfecho. Estamos sempre na rua, quase sempre sozinhas, vulneráveis, apesar da nossa força, e nem sempre temos um boi amigo por perto.

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