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26
Mar
Juntos Somos Fortes

Márcia de Lima Canez
Oficiala de Justiça
Comarca de Pelotas

Quando li, na página da ABOJERIS, as histórias de Oficialas de Justiça, me enterneci, achei graça, senti a angústia das colegas, e, mais do que qualquer coisa, claro, me encontrei nos relatos vividos e emocionados.

Todos sabemos a jornada solitária de nossa profissão, na maior parte do tempo. Não só a solidão física. Algumas de nós trabalham juntas, por vezes, mas ser titular de um mandado significa tomar decisões difíceis sem tempo para refletir. É um instante, precisamos dar respostas e reagir ao conflito que se instala. 

Pensei em tantas histórias... tantas vidas... todas a merecer ser contadas! Acabei por escolher uma história simples, e ressaltar algo fundamental entre nós, que nenhum colega desconhece: a importância da nossa união e apoio mútuo. 

Certo dia, daqueles em que as coisas tendem a dar errado, levei meu carro para lavar e cheguei ao fórum de táxi, para passar a tarde fazendo certidões, indo a cartórios e resolvendo o necessário. Ao pôr o pé na sala dos Oficiais, fui atravessada pela lembrança de que, em cerca de quarenta minutos, eu precisaria conduzir uma testemunha à audiência! Não só esquecera da condução, como não consultara os mandados de audiência na véspera!
Quem nunca passou por isso e esqueceu de uma tarefa importante? O desespero se instalou em mim, e eu não sabia o que fazer, de jeito nenhum conseguiria uma viatura a tempo! Nesse instante, entra na sala o Éder, nosso calado, eficiente e prestativo colega! Corri até ele: 

- Éder, quebra meu galho, vai comigo buscar uma testemunha! E rápido!

Como é do seu feitio, ele não falou muito, só respondeu: 

- Então vamos!

A sorte socorre os patetas, e felizmente, para mim, ele estava na sua caminhonete grande, pois a testemunha estava com uma perna quebrada, cheia de pinos, e não poderia se locomover de outra forma. A audiência fora marcada por um magistrado que já havia duvidado de certidões dos Oficiais de Justiça. Assim, sem pensar muito, levamos a testemunha, embora fosse uma temeridade e, se pensasse mais, não faria novamente. 

Conduzi a testemunha, nos olhamos e pensamos a mesma coisa: não poderíamos, claro, deixar a testemunha à própria sorte, e assim, após a audiência, levamos de volta o coitado.

Essa história não é a mais perigosa, nem a mais pitoresca, emocionante ou engraçada entre as muitas do nosso cotidiano. Resolvi contá-la para ilustrar a importância das nossas parcerias, da lealdade, da amizade e da confiança que desenvolvemos entre nós, e é um tesouro trazido pela nossa profissão. Somos amigos e podemos contar uns com os outros. Isso, como é moda dizer agora, verdadeiramente NÃO TEM PREÇO.

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