Fim de semana do Dia das Mães é marcado pelo 33º feminicídio no Rio Grande do Sul em 2026

Imagem: Jonathan Heckler/Agência RBS

No último sábado (9), por volta das 10h30min, a cuidadora de idosos Isabella Borges da Rosa Pacheco, de 22 anos, foi assassinada. Conforme a polícia, o suposto autor do disparo de arma de fogo que matou a jovem é Nicollas Ronald Moraes dos Santos, 23 anos. Ele era companheiro da vítima e foi preso em flagrante horas depois. Isabela figura o 33º feminicídio do Rio Grande do Sul, somente neste ano.

A jovem foi baleada na região do rosto, e o projétil atingiu o cérebro. Ela chegou a receber atendimento médico, mas não resistiu. Ela tinha medida protetiva de urgência (MPU), mas acabou sendo persuadida pelo companheiro a pedir a retirada da proteção. A delegada Thaís Dias Dequech, titular da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), informou, porém, que a MPU estava em vigor. Isso porque o juiz determinou que, antes da análise do pedido de revogação, Isabella deveria passar por acompanhamento com uma equipe multidisciplinar. A mãe da vítima também tinha medida protetiva contra o genro, após ter sido agredida por ele na rua, ocasião em que sofreu uma fratura no dedo. Com informações de GZH.

Para a Abojeris, o caso evidencia a urgência de fortalecer as políticas de prevenção e fiscalização das medidas protetivas já existentes, especialmente em situações nas quais há indícios de coação por parte do agressor. A entidade destaca que, embora Isabella estivesse amparada por uma MPU em vigor, é fundamental ampliar a integração entre os órgãos responsáveis, garantindo respostas mais rápidas e efetivas para impedir que o agressor permaneça próximo da vítima e consiga consumar a violência. Nesse contexto, a entidade lançou o projeto “Por uma Justiça que Chegue a Tempo” e, posteriormente, a Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ) instituiu um Grupo de Trabalho com o mesmo nome, com o objetivo de aprimorar cada etapa do processo relacionado às medidas protetivas, buscando frear o número alarmante de feminicídios no Estado.

Como parte de sua atuação na prevenção desse tipo de crime, a Abojeris promoverá, no dia 19 de junho de 2026, das 13h30 às 17h, um ciclo de palestras voltado ao fortalecimento da proteção às mulheres. O evento integra a campanha publicitária da entidade e pretende discutir falhas recorrentes, como problemas de comunicação, baixa integração entre instituições e entraves operacionais que comprometem a rapidez das respostas.

Essas ações são necessárias porque, só em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil. Nos últimos cinco anos, houve um aumento de 14,5% nos registros de feminicídios no país. Entre 2021 e 2022, o avanço foi de 7,6%. Na sequência, entre 2022 e 2023 e entre 2023 e 2024 o crescimento diminuiu, ficando na ordem de 1% ao ano. Entretanto, de 2024 e 2025, observou-se um novo salto, desta vez de 4,7%. Confira aqui os dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em março de 2026.

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