Brain Week debate feminicídio como problema de saúde pública e alerta para fatores de risco
Imagem: Rogério Fernandes / Divulgação SSP-RS
De 1º a 7 de junho, Porto Alegre recebe a Brain Week, a “Semana do Cérebro”. No segundo dia de evento, a secretária adjunta de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Adriana Regina da Costa, conduziu o debate central sobre feminicídio. Segundo ela, esses casos se tratam de um fenômeno social que não pode ser enfrentado apenas pela área policial, mas deve ser compreendido como um problema de saúde pública que exige o envolvimento de toda a sociedade.
No Teatro do Sesi (Fiergs), uma plateia predominantemente feminina acompanhou análises e participou com perguntas sobre um crime que mata, em média, quatro mulheres por dia no Brasil. De janeiro a maio deste ano, o Rio Grande do Sul registrou 37 feminicídios, número 20% superior ao observado no mesmo período do ano passado.
A apresentação teve perspectiva multidisciplinar, integrando neurobiologia, psicopatologia e fatores sociais contemporâneos. Estatísticas do Rio Grande do Sul (dados de 2025):
Perfil das vítimas
- Média de idade: 37 anos
- Mães: 71%
- Tinham Medida Protetiva de Urgência (MPU): 7%
- Mortas pelo companheiro ou ex-companheiro: 58%
Perfil dos agressores
- Média de idade: 38 anos
- Uso de álcool ou drogas: 33%
- Com antecedentes policiais: 67%
- Com problemas mentais diagnosticados: 8%
- Cultura e fatores de risco
Os painelistas elucidaram, ainda, que dinâmicas afetivas, sexualidade e padrões de comportamento podem evoluir para o crime, além de explorar os aspectos mentais, comportamentais e o potencial de letalidade. Os especialistas explicaram que a violência costuma seguir um processo progressivo:
- Agressões verbais;
- Violência física e sexual;
- Ameaças;
- Homicídio ou suicídio;
- Principais fatores de risco para o feminicídio;
- Não ser casada juridicamente;
- Ser imigrante;
- Pertencer a uma minoria étnica;
- Decisão de romper a relação;
- Diferença de idade entre o casal;
- Ciúmes;
- Presença de violência conjugal prévia;
- Violência durante a gestação;
- Abuso de álcool ou drogas pelo parceiro e/ou pela vítima;
- Ameaças e perseguição (stalking);
- Acesso a armas.
O stalking é considerado um fator crítico, visto que 76% das vítimas sofreram perseguição antes do crime.
Quando se trata do perfil dos agressores, na maioria dos casos, não se trata de atos impulsivos isolados de pessoas pacíficas e quase nunca são produzidos por homens qualificados como doentes mentais. Não existe um perfil único. O grupo heterogêneo pode incluir perfis:
- Sem transtorno mental;
- Antissociais;
- Borderline;
- Narcisistas;
- Psicóticos.
Entre as características mais frequentes observadas estão:
- Controle, domínio, ciúme;
- Baixa empatia;
- Raiva e impulsividade;
- Uso da violência como forma de poder;
- Mudança cultural.
Os especialistas concluíram que o enfrentamento do feminicídio depende da estruturação de uma rede de proteção integrada e de uma profunda transformação cultural. Também reforçaram a necessidade de combater o machismo estrutural, a naturalização histórica das agressões e a invisibilidade de violências psicológicas e patrimoniais. Com informações de GZH.
Para a Abojeris, esse debate conduzido pela secretária adjunta Adriana Regina é fundamental para entendermos a base dos casos de feminicídio. Os dados apresentados pelos especialistas são cruciais para frear os casos antes mesmo que eles aconteçam. Diante desse cenário, a Abojeris reforça o convite a todos os Oficiais e Oficialas de Justiça para participarem do ciclo de palestras “Diálogos sobre feminicídio e proteção às mulheres”, que tem como objetivo debater falhas recorrentes do sistema, como lapsos de comunicação, a baixa integração entre as instituições e entraves operacionais que comprometem a agilidade das respostas.
O encontro integra a campanha “Por uma Justiça que Chegue a Tempo”, também organizada pela entidade, e será no dia 19 de junho de 2026, das 13h30 às 17h, no Auditório do SindBancários. Para participar, basta acessar o link de inscrição e preencher nome, comarca e telefone para contato.




