Rio Grande do Sul registra mais um feminicídio; crime ocorreu na residência da família
Imagem: Tamires Hanke / Grupo RBS
No último domingo (24), o Rio Grande do Sul registrou mais um caso de feminicídio, desta vez em Santo Ângelo, no noroeste do Estado. A vítima foi Marines Rodrigues, de 40 anos, assassinada a facadas pelo companheiro. Durante a tentativa de salvá-la, sua sobrinha, Andréia de Souza da Fonseca, de 39 anos, também foi ferida. O crime ocorreu dentro da residência da família, no bairro Santa Bárbara, onde Marines era agredida pelo companheiro Tiago Gomes de Oliveira dos Santos, de 33 anos, quando a sobrinha chegou ao local na tentativa de socorro.
Segundo Andréia, o relacionamento do casal era marcado por agressões, ciúmes e constantes ameaças, embora Marines frequentemente retomasse a relação após promessas de mudança feitas pelo companheiro. Conforme relato do filho da vítima, Bruno Alan de Souza da Silva, a mãe evitava contar detalhes das agressões por medo das ameaças do companheiro.
De acordo com a Brigada Militar, vizinhos acionaram o 190 para denunciar uma ocorrência de violência doméstica. Quando os policiais chegaram ao local, Marines já estava sem vida. Segundo a delegada Elaine Maria da Silva, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Santo Ângelo, familiares presenciaram o crime e identificaram o companheiro como autor do ataque. Após o feminicídio, o suspeito fugiu e segue foragido. A Justiça expediu mandado de prisão preventiva, e a Brigada Militar realiza buscas para localizá-lo.
Segundo a Polícia Civil, o casal mantinha um relacionamento há mais de 12 anos e possuía histórico de violência doméstica. Marines chegou a ter medidas protetivas e era acompanhada pela Patrulha Maria da Penha até o último dia 19 de maio, quando solicitou a revogação da proteção. No ano passado, ela também havia pedido a retirada das medidas protetivas, porém, naquela ocasião, o Judiciário decidiu manter a determinação. Com informações de GZH.
Para a Abojeris, o caso reforça a necessidade de aprimorar as ações de prevenção e o monitoramento das medidas protetivas já em vigor. A entidade reitera que, em situações nas quais a vítima opta pela retirada da medida protetiva, como ocorreu neste caso, é fundamental que a Justiça atue de forma mais direta, realizando uma análise aprofundada do contexto, para garantir a segurança dessas mulheres, que muitas vezes enfrentam abusos psicológicos e permanecem vulneráveis à violência.
A Abojeris vem acompanhando atentamente os casos de feminicídio no Estado e como parte de sua atuação na prevenção desse tipo de crime irá promover, no dia 19 de junho de 2026, das 13h30 às 17h, um ciclo de palestras voltado ao fortalecimento da proteção às mulheres. O evento será um espaço de análise qualificada, reunindo palestrantes que vivenciam, na prática, os desafios reais para que a Justiça chegue a tempo.




