Feminicídios no RS expõe falhas na rede de proteção e reforçam a urgência do combate à violência contra a mulher

Imagem: Arquivo Abojeris

O Rio Grande do Sul contabiliza 68 mortes de mulheres investigadas como feminicídio em 2026, um cenário que evidencia a gravidade da violência de gênero e os desafios ainda existentes para garantir a proteção das vítimas. Conforme reportagem publicada pelo GZH nesta quinta-feira (5), 18 dessas mulheres, o equivalente a aproximadamente um quarto dos casos, tinham, tiveram ou chegaram a solicitar medidas protetivas contra seus agressores. O levantamento revela que, mesmo diante de pedidos de ajuda e da atuação do sistema de Justiça, muitas mulheres continuam expostas a situações de violência que podem terminar em morte.

A reportagem também destaca as dificuldades para romper o ciclo da violência doméstica e a necessidade de fortalecer a rede de proteção. A promotora de Justiça Ivana Battaglin, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do Ministério Público do RS, aponta que a medida protetiva, embora fundamental, não é suficiente quando não está acompanhada de outras ações. Já a delegada Walesca Alvarenga, diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher da Polícia Civil, alerta para uma escalada da violência e ressalta a necessidade de enfrentar o feminicídio de maneira conjunta e transversal.

A ausência de políticas públicas efetivas, de estrutura adequada e de articulação entre os órgãos responsáveis pela proteção das mulheres produz consequências devastadoras. Sem acompanhamento psicológico, assistência social, condições de autonomia financeira, acolhimento e fiscalização do cumprimento das medidas protetivas, muitas vítimas permanecem vulneráveis e encontram dificuldades para romper definitivamente com seus agressores. A falta de posicionamento firme da sociedade e do poder público diante dessa realidade também contribui para a perpetuação de uma cultura de violência, na qual ameaças, agressões e comportamentos abusivos são frequentemente naturalizados ou tratados com negligência.

Diante desse cenário, a Abojeris relembra sua campanha de enfrentamento à violência contra a mulher e a luta pelo fim dos feminicídios. A entidade realizou uma palestra de conscientização sobre o tema, promovendo o debate e chamando a atenção para a responsabilidade coletiva na prevenção dessas mortes. Em Porto Alegre, durante seminário realizado no dia 19 de junho, a associação também abriu espaço para aprofundar essa discussão, com a participação da delegada Walesca Alvarenga e da promotora de Justiça Ivana Battaglin entre as palestrantes. As contribuições das profissionais reforçaram a importância da informação, da prevenção e do fortalecimento das instituições que integram a rede de proteção.

Para a Abojeris, o enfrentamento ao feminicídio não pode se limitar a manifestações pontuais ou medidas tomadas somente depois que a violência acontece. É necessário compromisso permanente do poder público, investimento em políticas de prevenção, acolhimento adequado às vítimas, responsabilização dos agressores e integração dos serviços de segurança, Justiça, saúde e assistência social. Combater a violência contra a mulher é uma responsabilidade de toda a sociedade. A entidade seguirá promovendo a conscientização e defendendo ações concretas para que nenhuma mulher tenha sua vida interrompida pela violência de gênero.

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