Proposta de substituir servidores públicos por inteligência artificial preocupa direção da Abojeris

Imagem: Freepik

A possibilidade de substituir servidores públicos por sistemas de inteligência artificial voltou ao debate após declarações de Daniella Marques, coordenadora da área econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao podcast G4, no dia 26 de agosto, a economista defendeu que vagas abertas com a aposentadoria de trabalhadores do serviço público sejam gradualmente ocupadas por tecnologias, em vez de novos profissionais ingressarem por meio de concursos públicos. O tema voltou a repercutir em 19 de outubro, quando Daniella tentou esclarecer suas declarações durante participação no programa Pânico, da Jovem Pan.

A proposta gera preocupação sobre os impactos da redução do quadro de servidores na continuidade e na qualidade dos serviços prestados à população. Embora a inteligência artificial possa contribuir para agilizar procedimentos, automatizar tarefas repetitivas e apoiar o trabalho dos profissionais, sua utilização não deve servir de justificativa para desvalorizar o funcionalismo, reduzir postos de trabalho ou comprometer a capacidade de atendimento dos órgãos públicos. Permanecem, ainda, questões fundamentais sobre a supervisão das decisões automatizadas, a responsabilização por erros e o atendimento de situações que exigem análise humana.

Para a Abojeris, a substituição de servidores públicos por inteligência artificial é uma medida que ameaça o reconhecimento do trabalho humano e a estrutura necessária para garantir serviços públicos de qualidade. Os trabalhadores são fundamentais para o funcionamento do Estado, a organização da sociedade e a efetivação dos direitos da população. Na Justiça, a atuação dos profissionais é indispensável para assegurar o cumprimento das determinações judiciais, aproximar o Poder Judiciário dos cidadãos e garantir que as decisões produzam efeitos concretos na vida das pessoas.

A modernização do serviço público deve estar orientada pelo interesse coletivo, pela valorização dos trabalhadores e pela garantia de direitos, e não pela simples redução de despesas com pessoal. Defender os servidores públicos é defender a Justiça, a cidadania e a manutenção de um Estado capaz de atender às necessidades da população.

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