Pesquisa revela que 60% dos brasileiros consideram violência contra a mulher o crime mais grave do país

Imagem: Mídia Ninja

Seis em cada dez brasileiros entendem que a agressão contra mulheres é o crime mais grave no país, superando problemas como tráfico de drogas e roubos. Por outro lado, mais de 40% da população não considera uma atitude violenta, dentro de um relacionamento, o fato de o companheiro controlar as saídas da parceira ou administrar o salário dela. Os dados são de uma pesquisa divulgada pelo Datafolha, em parceria com o Movimento Mulher 360, associação que atua pela promoção da equidade de gênero.

No levantamento inédito, a violência contra a mulher aparece à frente de crimes como tráfico de drogas e assalto à mão armada em vias públicas. No entanto, na avaliação de Margareth Goldenberg, diretora-executiva do Movimento Mulher 360, a pesquisa evidencia uma contradição presente na sociedade brasileira: embora agressões físicas e ameaças sejam amplamente reconhecidas, a violência psicológica e coercitiva ainda são frequentemente negligenciadas.

Ainda assim, 45% da população considera que um homem impedir uma mulher de sair de casa para participar de comemorações não configura uma violência. O percentual é semelhante ao daqueles que não enxergam como opressão o controle das amizades da parceira por parte do companheiro (41%). Embora a violência patrimonial esteja formalmente prevista na Lei Maria da Penha, ela ainda é percebida como de menor gravidade. Para 42% dos brasileiros, o marido controlar o salário da mulher não representa, necessariamente, uma agressão.

Os dados também revelam que a culpabilização da vítima continua sendo um padrão. Segundo a pesquisa, 61% dos brasileiros concordam que muitas agressões são consequência de escolhas equivocadas feitas durante a escolha do parceiro. Essa percepção é compartilhada por 57% das mulheres e 65% dos homens. Para o Movimento Mulher 360, esse cenário contribui para o silêncio das vítimas diante das situações de violências. De acordo com o Datafolha, 37% das mulheres que sofreram agressões mais graves no último ano afirmaram não terem tomado nenhuma atitude após o episódio.

Em relação à confiança nas instituições e na efetividade das leis, apenas 19% das mulheres afirmam confiar muito na polícia para protegê-las, percentual que sobe para 31% entre os homens. A pesquisa também mostra que, enquanto 55% dos homens consideram as leis de proteção às mulheres adequadas, o mesmo percentual de mulheres demonstra insatisfação com essas medidas. Além disso, a maioria dos entrevistados (71%) acredita que as mulheres atualmente correm mais perigo dentro de casa do que fora dela.

Das 1.037 mulheres entrevistadas, 857 (84%) responderam a um módulo complementar da pesquisa, revelando que cada uma já vivenciou, em média, três situações de violência de gênero. Além disso, 74% relataram ter passado por pelo menos uma situação violenta. Insultos ou xingamentos foram as ocorrências mais frequentes (59%), seguidos por ameaça de agressão física, empurrões ou chutes (45%). Já os casos de perseguição e intimidação atingiram o índice de 43%.

O Datafolha realizou 2.004 entrevistas em capitais e regiões metropolitanas de todas as regiões do país. Foram ouvidos brasileiros e brasileiras com 16 anos ou mais. Com informações de O Globo.

Para a Abojeris, a pesquisa realizada pelo Datafolha reflete a realidade atual vivida pela sociedade. A entidade alerta que não reconhecer formas de violência praticadas de maneira velada, como o controle das saídas da parceira ou de seus recursos financeiros, representa um risco para todas as mulheres. Como aponta o levantamento, atualmente as mulheres estão mais vulneráveis dentro de casa do que em espaços externos.

Por isso, a entidade defende a ampliação do debate aberto sobre essa realidade enfrentada diariamente por milhares de mulheres. Diante desse cenário, a Abojeris convida todos os Oficiais e Oficialas de Justiça a participarem do ciclo de palestras que será realizado no dia 19 de junho, das 13h30 às 17h, no Auditório do SindBancários. Para participar, basta acessar o link de inscrição e realizar o cadastro.

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